Desde miúda que sinto que a minha vida seria fascinante, não sabia em quê, como ou porquê, mas sabia que na vida haveria mais do que estudar, trabalhar e começar uma família.

Sempre senti que existia algo mais dentro de mim que precisava de ser descoberto e que quando assim fosse, eu sentiria que tinha atingido a minha plenitude e o meu propósito.
Em pequena, passava horas a saltitar entre actividades, era a única miúda do meu colégio que tinha a mesma quantidade de barbies quanto de carros.

Este acesso e permissão a todas as coisas foi desenvolvendo a minha curiosidade, quando uma criança tem espaço para escolher, para fazer e para ser, ela torna-se mais corajosa, aventureira e interessada pelo mundo.

Desenvolver-me num ambiente “sem limites”, mas com regras, foi-me desde cedo incutindo esta saudável insanidade de desmontar crenças e desconstruir “realidades”. Mas como é que a história da minha infância se relaciona com o descobrir do meu propósito? Em tudo.

Há tempos, numa formação em Londres, foi-me pedido que me transportasse para a infância, para as coisas que fazia vezes sem conta e fizesse um paralelismo com o que gosto de fazer hoje. Fez-se luz, eu estive sempre lá.

Cantava, escrevia, sempre que podia sentava a minha família no sofá, punha-me em cima da mesinha do café e lia-lhes os meus poemas, as minhas histórias, cantava-lhes as minhas músicas.

O meu propósito são as pessoas, as relações, o acréscimo de valor, o impacto positivo criado através da palavra, da voz e com um bocadinho de espectáculo (há toda uma humorista não vivida em mim).

Há poucos sítios em que me sinta mais feliz que em sala, a partilhar ideias, histórias, a desafiar, a criar pontes, a devolver esperança sustentada e a desenvolver opções. Esse é o meu propósito. Criar caminhos.